domingo, 15 de maio de 2011

Capitulo 4 - Difíceis Decisões


   Em silêncio nós aguardávamos. Um clima de suspense pairava no ar, enquanto ninguém ousava falar sequer uma palavra enquanto observávamos a porta, nem tocamos outra vez. Tudo parecia intacto, mas há muito tempo eu já sabia que não é seguro confiar nas aparências.
   Pelo rodapé, era possível avistar sombras se deslocando por dentro da casa. Viva ou morta... Tinha alguma coisa lá dentro. Eu tentava evitar ao máximo os pensamentos negativos. “Atende logo, mãe. Pare de bobeira” Pensava comigo mesmo. Era quase inconcebível para mim que minha família pudesse estar morta.
   Abruptamente, um som metálico corta o silêncio. Renan me olha e dá um sorriso. O primeiro sorriso realmente feliz que eu já vi em seu rosto. A porta se abriu: Minha mãe me observa com uma faca em mãos. Ela treme.
-Meu filho! - Só deu tempo de largar meu pedaço de ferro. Em frações de segundo, tinha sido capturado firmemente entre os braços dela. Tudo estava bem. Enquanto meu amigo apenas olhava a cena, minha mãe começava então a me interrogar sobre tudo. Não havia nada a dizer, eu não poderia falar algo. Estava tão confuso quanto ela. Isso era estranho para mim, era raro eu não conseguir explicar alguma coisa.
   Pela primeira vez desde que o colégio havia sido atacado, eu me sentia seguro. Minha mãe, cujo nome era Rosana, se apressou a trancar novamente nossa porta. Sorri então como nunca havia feito: Sentia um misto de alívio e felicidade extrema, uma emoção inexplicável.
   O êxtase não poderia durar muito tempo mais. Estávamos em perigo constante, e eu sabia disso. Todos nós sabíamos. E era por isso que minha mãe estava relutante em soltar a faca mesmo já sentada no sofá, enquanto assistia ao noticiário.
-Renan, você vem comigo. Vamos procurar coisas na internet. – Eu disse.
   O cômodo estava da forma como eu o deixei pela manhã. A cama ainda bagunçada, lençóis e cobertas jogadas ao canto. Entrei acompanhado de meu amigo, e sentamos os dois na cama. Se existisse alguma hora para conversar, deveria ser aquela.
- O que será de nós, cara? – Perguntei, mas não antes de perceber que Renan estava em silêncio. Lágrimas escorriam por seu rosto. Fiquei perplexo com aquela cena, afinal eu nunca fui bom em consolar pessoas. Calado, apenas observei tudo.
 Lentamente, ele vira o olhar para mim. Como se compreendesse o que se passava pela minha cabeça.
-Luís morreu. –Ele disse.  Aquelas palavras fariam mais efeito em mim do que todos os dias que se seguiriam dali em diante. Era um fato que eu não podia negar.
   Respirei fundo e lembrei-me de ligar o computador. Era a única esperança de descobrir o que estava realmente acontecendo. Renan secava as lágrimas na própria camisa, olhando a vista do meu apartamento, enquanto eu tentava não me abalar novamente. Naquele dia eu estava mais emotivo do que jamais estive em toda a minha vida.
-E aqueles carros parados ali? – Renan disse enquanto olhava pela janela. Adiantei-me para saber do que ele estava falando: Três furgões pretos estavam estacionados na esquina. Homens armados vestidos de preto vasculhavam a área, mexendo nos corpos pelo chão. Vieram em minha memória aqueles mesmos veículos cortando a rua há alguns minutos atrás. Havia algo de muito curioso em toda aquela história.
   Voltei à minha cadeira e comecei a procurar sobre os acontecimentos recentes. Em um site de buscas qualquer, percebo que a capital do estado não foi a única a ser atacada. Uma longa lista de cidades aparecia, dentre elas, Angra dos Reis. Lembrei de minha tia, qua há muito tempo morava lá.
   Porém não havia tempo para se lamentar. Digitei “CCAB” na barra de pesquisas. Se não me engano, eram essas as iniciais dos misteriosos veículos. Torci então para que encontrasse as respostas que eu tanto queria. No site, apareceram as mais variadas informações e imagens. Mas nada que fosse útil a mim.
-Matheus! – Minha mãe gritou da sala. Era impressionante como todos estavam chamando a mim naquele dia. Com certa preguiça, levantei-me e fui a encontro dela.
-O que houve? – Perguntei, mas ela apenas fez sinal para que eu permanecesse em silêncio e apontou para a TV: Uma mulher bem vestida se destacava do fundo azul do noticiário.
Hoje, a partir das três horas da tarde, ônibus passarão por todas as cidades afetadas recolhendo sobreviventes. A evacuação durará cerca de cinco horas. O percurso ainda não foi totalmente marcado, mas pelo que se sabe, tudo será improvisado, porque muitas ruas estão interditadas e não há como saber se eles terão acesso a todas as casas. Especialistas já indicam que será a maior missão de resgate... Da... Todos...”
   A imagem se cortava em chiados e falhas na transmissão, até que saiu do ar. Renan já estava próximo, e continuava a refletir sobre o que tinha acabado de ver. Minha mãe parecia estar muito contente com a notícia. Somente eu estava em dúvida sobre essa tal evacuação.
 -Filho, arrume suas coisas. Nós vamos para lá. – Minha mãe se ergueu e começou a andar pela casa. Era impressão minha ou até agora meu amigo e ela ainda não tinham se falado?
-Mas mãe, é perigoso! E para onde você está pensando em ir?
- Perigoso é tentar se esconder num buraco qualquer e morrer de fome. Ou de sede, o que vier primeiro.
-Mãe, você não está entendendo! Isso não vai dar certo!- Avisei-a.
Nesse momento ela se aproximou e me olhou nos olhos. -Me escuta aqui, você. - Deu um passo a frente- Quem dá as ordens sou eu, quem decide sou eu. Eu sou a líder aqui. Nós não vamos morrer. – Disse, e depois foi preparar as malas. Por um momento olhei para Renan, que apenas deu de ombros. "Você que sabe" ele dizia com o olhar.
   Eu estava nervoso com toda aquela situação. Seria justo o que eu não esperava. Todos discutindo, cada um com suas próprias ideias, suas concepções de sobrevivência. Eu sabia que ela estava errada. Mas não podia discutir. Eu me encontrava agora em um verdadeiro dilema.
   Segui para o quarto com ela, tentando discutir todos os perigos. Mas era inútil. Teimosa, insistia em dizer que tudo era para nosso bem. Que era a única solução. Eu via naquilo tudo um risco imensurável, uma verdadeira ameaça a nossas vidas. Mas não restava mais tempo, ou argumentos. Tudo estava se esgotando, só me restava ter fé.
   Em poucas horas, todas as malas estavam prontas. Renan assistia a tudo ainda confuso. Minha mãe estava cada vez mais ansiosa. O relógio marcava uma hora da tarde. O sol estava a pino no centro da cidade, mas uma coisa estava diferente naquele dia. Todo o lugar estava impregnado com um profundo cheiro de carne estragada.
-Vamos. – Ela dizia, enquanto abria a porta. Notei que minha mãe não carregava consigo arma alguma. Tudo havia passado rápido demais. Não havia como evitar mais nada.

3 comentários:

  1. MTO BOMMMMMM tá mto show cara! E angra hein... hahaha anciosa para o proximo post

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  2. Ai negada eu sou o Renan da historia.É isso ai.A hitoria ta legal, continua e ve se posta mais rapido os capitulos.(ai nem sei se essa vírgula q eu botei ta no lugar certo.:D

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  3. essa rosana é muito burra quer sair de casa,acredito que ela nao vai durar nen 1 dia

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